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A PORTA QUE SE FECHOU ANTES DA URNA: o TRE-RJ tirou Garotinho da corrida ao governo do Rio — e ele chama a derrota de «armação»

Não foi a urna que barrou. Foi o registro. Na sexta-feira, 11, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) negou o registro da candidatura de Anthony Garotinho ao governo do estado — a corrida ao Palácio Guanabara acabou interrompida na etapa burocrática, antes de qualquer voto. O tribunal entendeu que o ex-governador não reúne as condições de elegibilidade exigidas pela legislação eleitoral: ele está com os direitos políticos suspensos por 8 anos.

A razão da suspensão é concreta e tem endereço: condenação por improbidade administrativauso incorreto do cargo público para obter vantagens pessoais ou ferir os princípios da honestidade e da legalidade no Estado — em processo que apurou desvio de verbas da saúde quando ele era secretário de Governo na gestão de Rosinha Garotinho, sua esposa. A nota do tribunal é seca e não deixa tradução possível: «Sem os direitos políticos, não é possível votar e nem ser votado.»

O que ele não reconhece

Garotinho recebeu a decisão de um jeito que revela mais estratégia de palanque do que argumento jurídico. Segundo ele, «não foi nenhuma surpresa», e a campanha «não vai ser alterada em nada». No X, escreveu:

«Essa foi a decisão do TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. É o entendimento consensual da Corte Suprema. O Tribunal do Rio mais uma vez agiu contrariando o entendimento do TSE. Todos os atos de campanha estão mantidos e venceremos. Isso só demonstra à população o quanto o crime organizado se infiltrou nos podres poderes do Estado. Mas não nos intimidarão.»

Leia devagar, porque há duas coisas embutidas ali. A primeira é um deslocamento de autoria: quem indeferiu foi o TRE-RJ, e ele apresenta o ato como se fosse do TSE — para depois acusar o próprio tribunal fluminense de contrariar a instância superior. A segunda é mais direta: ele transforma a inelegibilidade em perseguição e se coloca como vítima de uma estrutura capturada pelo crime — exatamente o argumento que, na semana anterior, foi usado contra ele. O detalhe é que «não foi nenhuma surpresa» é uma confissão estranha para quem diz que a campanha não muda. Quem não espera a decisão não diz que não foi surpresa.

O que a decisão não é

Duas correções obrigatórias, para não repetir o erro do próprio discurso:

  • Não é decisão definitiva. Cabe recurso ao TSE, e ele anunciou que recorre. A candidatura, hoje, está barrada — não morta.
  • Não é condenação criminal. Trata-se de matéria de elegibilidade e improbidade administrativa, com direitos políticos suspensos, sem condenação na esfera criminal neste caso.

E há um dado de currículo que não sai da conta por nota: Beneficiado por uma escolha de cargo — o de secretário de Governo —, o desvio apurado foi de dinheiro da saúde, na gestão da esposa. Dinheiro que não virou remédio, não virou leito, não virou plantão. Oito anos de suspensão política é a consequência jurídica. Mas o fato de origem — ter usado o cargo em benefício próprio e de terceiros — é o que o eleitor fluminense precisa processar, recorrendo ele ou não ao TSE.

A conta final: um ex-governador que já ocupou o mesmo palácio que agora quer recuperar foi barrado pelo tribunal do próprio estado por não poder ser votado — sanção herdada de uma condenação por improbidade ligada a dinheiro da saúde na gestão de Rosinha Garotinho. Ele diz que «venceremos» e que a campanha segue igual. Mas campanha sem registro é palanque sem urna — e, no lugar dele, o que ficou de pé não é o projeto: é a conta de 8 anos.

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